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447 - A coragem do coração

Meu muito amado filho Estêvão

Estou sentada na pequena cadeira do auditório com a maquina de filmar sobre o ombro e sinto as lágrimas a bailar nos olhos. A minha filha de seis anos está no palco, calma, controlada, concentrada e canta com toda a emoção. Estou nervosa, emaciada, agitada e tento não chorar.
"Oiçam, estão a ouvir os sons dos corações a bater à vossa volta?" canta.
Com a carita redonda virada para cima, para a luz uma carrinha tão querida e familiar e contudo tão diferente das minhas feições magras.
Lança o olhar sobre o público, com total confiança... sabe que a amam.
Olhos que não se parecem com os meus.
"Tanto no vale como na planície, em todo o mundo, o bater dos corações é igual.".
O rosto da sua mãe biológica olha-me do palco. Os olhos de uma rapariga, que uma vez olharam os meus com confiança, olham agora o publico. Estas feições que a minha filha herdou da sua mãe biológica... olhos um pouco repuxados nos cantos e umas bochechas rosadas que não consigo parar de beijar.
"Negro ou branco, vermelho ou moreno, é o coração da família humana... oh, a bater, oh, oh, oh a bater", concluiu.
O publico entusiasma-se. Eu, também. Um aplauso estrondoso e põe-se de pé para que Melanie saiba que adoraram. Ela sorri... já sabia.
Estou a chorar. Sinto-me tão feliz por ser a sua mamã... ela enche-me de tal alegria que o meu coração até dói.
O coração da família humana... o coração da coragem que nos mostra o caminho quando estamos perdidos... o coração que une estranhos num objectivo comum... foi esse o coração que a mãe biológica de Melanie me mostrou. Melanie ouviu-a do mais profundo de si. Este coração de coragem pertencia a uma rapariga de dezasseis anos... uma rapariga que se tornou mulher devido ao seu empenhamento no amor incondicional. Foi a mulher que agarrou a ideia de que podia dar à sua filha algo que mais ninguém podia... uma vida melhor do que ela tinha.
O coração de Melanie bate junto do meu quando a abraço e lhe digo que cantou muito bem. Ela solta uma risadinha, nos meus braços e levanta os olhos para mim:
- Por que estás a chorar, mamã?
- Porque estou tão feliz por ti e te portaste tão bem, sozinha! - respondo.
Sinto-me estender-lhe tentáculos de amor e abraço-a com mais do que apenas os braços. Abraço-a com amor, não só por mim, mas pela mulher bela e corajosa que optou por dar vida à minha filha, e depois optou por dar-ma. Trago em mim o amor de ambas... a mãe biológica com com coragem de partilhar, e a mulher cujos braços vazios se encheram de amor... porque o pulsar do coração que partilhamos é só um.
By: Patty Hansen

Sabes meu filho que há uma pessoa que te ama mais que eu, uma pessoa que morreu por ti, morreu por te amar. Deus.
Deus ama-te antes de seres tu, antes de eu ser eu antes de haver sol e mar e coisas.
Deus morreu por ti. Por esse amor infinito que te têm. Deu-te amor e deu-te também uma coisa maravilhosa "livre-arbítrio" para que tu faças o teu caminho.... ele só quer o teu bem e sabe qual é esse caminho mas na sua infinita generosidade deixa que tu o faças sozinho que tu escolhas o teu.
Escolhe bem.
Escolhe o caminho do bem, do amor, do ser feliz para o teu Mais.
Não uses o seu nome em vão.
Faz um caminho de paz.
Faz um caminho para os outros.
Faz um caminho de verdade. Sempre.

Amo-te infinitamente

Tua mãe

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