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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

694 - Quando deixar ir ..... let go


Meu muito amado filho Estêvão
Estamos tão acostumados a reagir por impulso quando alguém nos magoa, que acabamos envenenando o nosso dia ou, às vezes, a nossa vida.
Este conto budista mostra-nos que muitas vezes a nossa felicidade pode depender da nossa capacidade de ignorar aqueles que nos prejudicam.
Quantas vezes nos sentimos ofendidos, tristes, irritados com o comportamento dos outros? Estas reações são comuns e fazem parte do comportamento normal do ser humano.
O problema surge quando os sentimentos negativos começam a aflorar e acabam a desgastar-nos.
Aprender a ignorar uma pessoa tóxica não é simples, mas envolve uma profunda mudança de atitude. Devemos aprender a abrir a mente e a ver as coisas sob um outro ponto de vista.
Nesse sentido, existe uma técnica de “aceitação radical”, uma técnica desenvolvida pela psicóloga Marsha M. Linehan da Universidade de Washington.
Trata-se de aceitar algo sem julgamentos. Vamos dar um exemplo: quando alguém nos irrita com suas palavras ou com seus gestos, é porque nós mesmos esperamos determinados comportamentos daquele alguém, e rejeitamos um comportamento diverso daquele que tínhamos imaginado.
Segundo Linehan, essa rejeição alimenta a frustração, o ressentimento, o ódio ou a tristeza e, ao contrário, quando se pratica a aceitação radical, se aceita simplesmente o que quer que tenha acontecido, sem entrar no julgamento do mérito.
A distância psicológica cria uma espécie de escudo e garante que, em uma ou em outra situação, não sejamos emocionalmente prejudicados.
“Dizem que uma vez, um homem aproximou-se de Buda e, sem dizer uma palavra, cuspiu-lhe em seu rosto. Seus discípulos ficaram super irritados.
Ananda, o discípulo mais próximo, perguntou a Buda:
– Dê-me permissão para dar a este homem o que ele merece!
Buda limpou a cara calmamente e respondeu a Ananda:
– Não. Vou falar eu com ele.
E juntando as palmas das mãos em sinal de reverência, Buda disse ao homem:
– Obrigado. Com o seu gesto, você permitiu que eu visse que a raiva me abandonou. Estou extremamente agradecido. O seu gesto também mostrou que Ananda e os outros discípulos ainda são assaltados pela raiva. Obrigado! Somos muito gratos!
Obviamente, o homem não acreditou no que ouviu, ele sentiu-se comovido e angustiado. Ele não conseguia explicar o que tinha acontecido. Ele foi acometido por um tremor por todo o corpo e seu suor molhou os lençóis onde dormiu.
Na sua vida, nunca havia conhecido um homem com um carisma tão forte. O Buda modificou todos os seus pensamentos e todo o seu modo de viver e de agir.
Na manhã seguinte, o homem voltou ao mestre e jogou-se aos seus pés. Então o Buda se voltou para Ananda:
– Você viu? Esse homem voltou para me dizer algo. Esse gesto de tocar meus pés é a maneira dele de me dizer algo que não poderia ser explicado em palavras.
O homem olhou para o Buda e disse:
– Perdoe-me pelo que fiz com você ontem.
O mestre respondeu que não havia nada para perdoá-lo e explicou-lhe:
– Como o fluxo do Ganges faz com que suas águas nunca sejam as mesmas, então nenhum homem é o mesmo de antes. Eu não sou a mesma pessoa com a qual você esteve ontem. E nem mesmo aquele que me cuspiu, está agora aqui.
Não vejo ninguém tão zangado quanto a ele. Agora você não é mais o mesmo homem de ontem, você não está fazendo nada comigo, então não há nada de que eu possa perdoar-te. As duas pessoas, o homem que cuspiu e o homem que recebeu o cuspe, já não estão mais aqui. Então, agora vamos falar de outra coisa.”
A pessoa sincera e justa não tem motivos para reagir às ofensas porque estas provêm da imagem que uma mente distorcida pode ter, e não da realidade dos fatos.
Então, se alguém se comportar mal com você, não deixe atitude dessa alterar seu equilíbrio psicológico. Isso só prejudica você e à quem você dá muita importância.
Buda então nos ensina que as coisas podem mudar rapidamente, e também que devemos ter inteligência para compreender isso.
Às vezes, passam-se meses antes das desculpas chegarem (se é que chegam), mas o mestre diz-nos que não há motivo para levar a mal algo que, tendo passado, no presente já não existe mais.

Em julho enviei uma mensagem a uma pessoa, em setembro outra e hoje outra de nenhuma obtive qualquer resposta …. Ou melhor recebi uma …. O total e completo silêncio… para mim que não faço isso a ninguém sob nenhuma circunstância fico triste e zangada por alguém que eu tanto considero não me responder mais que não seja a despedir-se …. Esta historia do Buda lembra-me sempre que é assim que as coisas são eu não posso esperar de ninguém aquilo que eu gostava que fossem ou fizessem.
Quando alguém fizer algo que te entristece, que põe o teu coração triste que te leve a questionar porquê eu? Porquê isto? …. Afasta-te e envia luz muita luz e pensamentos felizes, encontra no teu imenso coração lugar onde pões amor para essa pessoa que claramente precisa mais que tu, porque só alguém que tem muita falta de amor pode recusar o teu amor.

Dá sempre amor sempre sempre sempre não importa se tens resposta ou não não importa se és ignorado ou não dá amor amor amor e amor nada mais que isso e não esperes nada de ninguém nada …. As pessoas dão o que têm quem.

Amo-te infinitamente

Tua mãe




terça-feira, 25 de junho de 2013

150 - Responde à chamada ....

Meu muito amado filho Estêvão
Hoje quando te escrevo ainda és pequenino e o mundo evolui a uma velocidade tão grande que daqui a uns anos nem sei que maneiras haverão para as pessoas saberem umas das outras. Para se manterem em contacto umas com as outras.
Seja como for acho que este conselho vai servir na altura também.
Quando alguém te quiser falar, fala, retribui. Nunca ninguém esta assim tão ocupado, tão chateado, tão longe, tão sem cabeça que não consiga retribuir um contacto.
Se te telefonarem. Telefona de volta.
Se te mandarem correio eletrónico. Responde.
Se te mandarem carta também.
Se te quiserem falar pessoalmente pois fala.
Se te mandarem sms, sinais de fumo, mensagem em rede social, apito de avião, o que seja. Responde. Nem que seja para dizer “recebi agora não tenho tempo/paciência/coragem para te responder”.
Primeiro tu não é mais importante que ninguém para não corresponderes a um apelo de outra pessoa como tu. Ser humano a falar com ser humano qual é a dúvida? Não há dessas coisas entre os leões ou os ursos. Ai há sempre resposta.
Tu não fazes ideia do esforço que a pessoa fez para te contactar, da urgência, da necessidade de contacto, por isso retribui.
Ninguém (repito: ninguém) está acima de ninguém para não retribuir um contacto.
Claramente se não te apetece/queres/tens tempo para responder a uma pessoa é porque o assunto/a pessoa não são importantes para ti…. Mas tu claramente és/ou o assunto é para quem te escreve, como tal responde.
A linguagem não-verbal que vem da tua ausência de resposta diz muito sobre ti (alias diz muito mais sobre ti e sobre o modo como encaras os outros a tua volta) e do modo como vês e te relacionas como os outros, é essa a mensagem que queres dar de ti mesmo aos outros?
Lembra-te meu filho que como na savana, na vida um dia é da caça outro do caçador. Eu acredito na física e nas suas leis e na lei da acção-reacção… tudo o que damos ao mundo recebemos de volta… o que queres dar? E não há prazo de validade para receber … não há mesmo. Por isso dá sempre amor, respeito, muito respeito pela pessoa humana que é o outro, dá o teu tempo, dá a tua atenção, dá-te o suficiente para se alguém te escreve a pedir algo, a perguntar algo, a apenas querer o teu tempo, atenção, conselho, ajuda….
Começa sempre uma resposta por obrigada termina com um cumprimento sincero e desculpa-te se for esse o caso.
E meu filho, não penses que por rasgares a carta, mandares um correio eletrónico para a pasta do lixo, fechares as cortinas ao sinal de fumo, desligares o telefone ou a campainha que o que te faz não responder desaparece. Não desaparece mas a tua atitude ficará sempre. E é sobre ela que viverás.
O antigo presidente da africa do sul, Nelson Mandela, tem na sua bibliografia uma informação que eu acho a propósito: “Nunca nem quando tive preso ou quando estive a frente da politica da africa do sul, deixei de atender um telefone ou responder a uma carta, sempre soube o nome das pessoas a minha volta e sempre me desculpei pelas minhas falhas mesmo quando eu não entendia como falhas mas que sabia ter decepcionado os outros. Foi isso que aprendi como o meu pai, tratar os outros como gosto que me tratem a mim.”

Amo-te como a terra vermelha




Tua mãe

1112 - Carta numero 21 para ti

 Meu muito amado filho Estêvão Caro jovem, Hoje quero falar contigo sobre algo que pode parecer simples, mas que é uma das qualidades mais i...