quarta-feira, 2 de setembro de 2026

1113 - Carta número 23 para ti

Meu muito amado filho Estêvão


Meu querido filho,


Há tantas coisas que eu gostava de te ensinar antes de a vida te ensinar algumas delas da maneira mais difícil.


Não te escrevo esta carta para te dizer como deves viver, porque sei que a tua vida é tua e que precisas de fazer o teu próprio caminho. Escrevo-te porque sou tua mãe e porque, acima de tudo, quero que sejas feliz, saudável, livre e capaz de te proteger num mundo que nem sempre será tão simples como parece.


Quero começar por te dizer uma coisa que talvez só compreendas verdadeiramente quando fores mais velho: a saúde é a primeira riqueza. Cuida de ti. Cuida do teu corpo, da tua cabeça e do teu coração. Dorme o suficiente, mexe-te, pratica exercício, alimenta-te bem e aprende a ouvir o teu corpo. As escolhas que fazes hoje vão acompanhar-te durante muitos anos. O teu futuro será influenciado muito mais pela forma como cuidas de ti do que pelo emprego que tens ou pelo curso que tiraste. Nenhum diploma e nenhum salário compensam perder a saúde.


E, meu filho, aprende a dizer “não”. Diz não quando alguma coisa não te faz bem. Diz não quando te pressionam a fazer aquilo que não queres. Diz não quando sentes que estás a trair os teus próprios valores só para seres aceite.


E, por favor, não sintas culpa por isso.


Nem todos vão gostar de ouvir o teu “não”, mas isso não significa que estejas errado. Cada “sim” que dás àquilo que não queres rouba tempo e energia às coisas que realmente importam. Não precisas de agradar a toda a gente. Quem te ama de verdade respeitará os teus limites.


Também quero que saibas que nem todas as pessoas que sorriem para ti são tuas amigas. Vais conhecer pessoas maravilhosas, mas também vais conhecer algumas que vão fingir estar felizes por ti enquanto, por dentro, competem contigo ou desejam ver-te falhar.


Não quero que vivas desconfiado de toda a gente. Quero apenas que aprendas a observar.


Olha para as ações, não apenas para as palavras.


Quem gosta verdadeiramente de ti fica feliz com as tuas conquistas. Respeita-te quando não estás presente. Não precisa de te diminuir para se sentir importante. Aprende a reconhecer essas pessoas e guarda-as perto de ti, porque uma amizade verdadeira vale muito.


E lembra-te de outra coisa: a pessoa que fala mais alto nem sempre é a mais forte.


Não precisas de gritar para seres ouvido. Não precisas de responder a todas as provocações. Não precisas de provar constantemente o teu valor.


A verdadeira força é muitas vezes silenciosa.


É conseguir manter a calma quando os outros perdem a cabeça. É saber quem és mesmo quando alguém tenta fazer-te duvidar de ti. É ter coragem para defender aquilo em que acreditas sem precisar de humilhar ninguém.


O verdadeiro poder não precisa de anunciar que é poderoso. É tranquilo, sereno e firme.


E, meu filho, guarda esta última coisa no coração: o tempo é mais valioso do que o dinheiro.


Um dia vais perceber que podes voltar a ganhar dinheiro, comprar coisas novas e reconstruir muitas coisas que perdeste. Mas há uma coisa que ninguém consegue devolver-te: o tempo.


Não desperdices a tua vida a tentar impressionar pessoas que amanhã talvez nem façam parte dela. Não passes os melhores anos da tua vida preocupado em ser aquilo que os outros esperam de ti.


Passa tempo com quem amas. Ri. Viaja. Aprende. Cuida dos teus amigos. Abraça-nos. Faz coisas que te façam crescer. Persegue os teus sonhos. E, de vez em quando, simplesmente pára e aproveita o momento.


Porque, quando deres por isso, os anos terão passado.


E talvez esta seja a parte mais difícil de ser mãe: ver-te crescer sabendo que não posso proteger-te de tudo.


Eu não posso escolher os teus amigos por ti. Não posso evitar todas as tuas desilusões. Não posso impedir que tenhas o coração partido, que falhes ou que escolhas caminhos errados.


Mas posso dar-te aquilo que espero que leves contigo para sempre: o meu amor, os meus conselhos e a certeza de que terás sempre um lugar onde podes voltar.


Não quero que sejas perfeito. Quero que sejas verdadeiro.


Quero que tenhas coragem para recomeçar quando errares, humildade para aprender, força para dizer não, inteligência para escolher quem merece estar ao teu lado e sabedoria para perceber que a tua saúde, o teu tempo e a tua paz valem mais do que qualquer coisa que possas comprar.


E quando a vida te parecer demasiado difícil, lembra-te disto:


Não tens de saber hoje quem vais ser para sempre.


Só precisas de dar o próximo passo.


Eu estarei sempre a torcer por ti, mesmo quando não concordar contigo. Estarei orgulhosa de ti não apenas pelas coisas que conquistares, mas principalmente pela pessoa que escolheres ser.


E, aconteça o que acontecer, nunca duvides de uma coisa:


És profundamente amado.


Com todo o amor que existe no coração de uma mãe,


Amo-te infinitamente


Tua mãe



quarta-feira, 20 de maio de 2026

1112 - Carta numero 21 para ti

 Meu muito amado filho Estêvão


Caro jovem,


Hoje quero falar contigo sobre algo que pode parecer simples, mas que é uma das qualidades mais importantes que podes desenvolver: a integridade.


Integridade é fazer o que é certo, mesmo quando ninguém está a ver. É escolher o caminho correto, não porque vais ser elogiado, recompensado ou reconhecido, mas porque sabes, no teu coração, que é o certo.


Ao longo da tua vida, vais enfrentar momentos em que será fácil escolher o caminho mais rápido, mais conveniente ou mais popular. Talvez ninguém descubra se fizeres algo errado. Talvez até pareça que outras pessoas “se safam” fazendo o contrário do que é certo. Mas é exatamente nesses momentos que a tua integridade é testada.


Fazer o certo quando ninguém está a aplaudir exige coragem. Exige caráter. Exige uma decisão consciente de seres fiel a ti mesmo e aos teus valores.


Lembra-te: o que fazes quando ninguém está a ver constrói quem tu és. Cada pequena escolha — dizer a verdade, cumprir uma promessa, respeitar os outros, ser honesto — vai moldando o tipo de pessoa que te tornas.


Pode não haver aplausos no momento. Pode até parecer que ninguém reparou. Mas a verdade é que tu vais saber. E essa consciência tranquila vale muito mais do que qualquer elogio.


Pessoas com integridade ganham algo que não se compra: confiança. E a confiança abre portas, fortalece relações e constrói um futuro sólido.


Portanto, quando estiveres diante de uma escolha, pergunta a ti mesmo: “Isto é o certo, mesmo que ninguém veja?” Se a resposta for sim, segue esse caminho — mesmo que seja mais difícil.


Ser íntegro não é ser perfeito. É escolher, repetidamente, fazer o melhor que podes com aquilo que sabes.


Continua a crescer, a aprender e a escolher o que é certo.


Com respeito e confiança no teu futuro,


Amo-te infinitamente


Tua mãe

quarta-feira, 13 de maio de 2026

1112- Carta numero 20 para ti

 Meu muito amado filho Estêvão


Caro jovem,


Assumir quem tu és, especialmente numa idade como a tua, já é um ato de enorme coragem. Nem toda a gente tem essa força tão cedo. E mesmo que às vezes não pareça, isso diz muito sobre a honestidade e a verdade que existem dentro de ti.


Talvez agora sintas que ainda não encontraste o amor. Talvez olhes à tua volta e pareça que os outros já estão a viver coisas que tu ainda não viveste. E isso pode trazer dúvidas, impaciência ou até um certo silêncio no peito.


Mas quero que saibas isto com toda a clareza: não há nada de errado contigo por ainda não teres encontrado alguém.


O amor não tem um relógio igual para todos. Ele não chega mais cedo ou mais tarde por causa de quem tu és. Ele chega quando encontra espaço, quando cruza caminhos com alguém que também está pronto para te ver — de verdade.


E tu mereces ser visto assim.


Não deixes que a pressa ou a comparação te façam acreditar que estás “atrasado” ou que tens menos oportunidades. A tua história está a começar, e há tanto ainda por viver, por descobrir, por sentir.


Enquanto o amor não chega, há algo muito importante a acontecer: estás a conhecer-te. Estás a aprender a aceitar-te, a gostar de ti como és. E isso vai fazer toda a diferença quando alguém entrar na tua vida — porque vais saber reconhecer quem te respeita e quem te merece.


Espera pelo amor, sim. Mas não como quem está incompleto — e sim como alguém que já é inteiro e está apenas à espera de partilhar isso com outra pessoa.


Há alguém no mundo que vai gostar de ti exatamente como és. Sem esconder, sem mudar, sem pedir para seres diferente.


E quando isso acontecer, vais perceber que a espera não foi em vão.


Com carinho e esperança,  

Alguém que acredita no amor que ainda vais viver



Amo-te infinitamente


Tua mãe

quarta-feira, 6 de maio de 2026

1111- Décima nona carta a ti

 Meu muito amado filho Estêvão


Caro jovem,


Ter 14 anos é estar constantemente diante de escolhas — algumas parecem pequenas, quase invisíveis, e outras parecem enormes, como se pudessem definir tudo. A verdade é que todas elas importam, mesmo as que parecem simples.


Quero que guardes esta ideia contigo: toda decisão é uma semente. E, como qualquer semente, aquilo que plantas hoje vai crescer amanhã.


As tuas escolhas — com quem andas, como falas contigo mesmo, o que decides fazer quando ninguém está a ver — vão moldando, pouco a pouco, a pessoa que te estás a tornar. Não acontece de um dia para o outro, mas acontece.


Isso não significa que tenhas de ser perfeito ou acertar sempre. Vais cometer erros, e isso faz parte. Às vezes, vais plantar algo que não querias colher. E tudo bem — porque também podes aprender, ajustar e escolher diferente da próxima vez.


O mais importante é começares a perguntar a ti mesmo: “Isto que estou a escolher agora leva-me para onde eu quero ir?” Nem sempre vais ter a resposta clara, mas só o facto de pensares já te coloca num caminho mais consciente.


Escolher bem não é escolher o mais fácil, nem o mais rápido. É escolher aquilo que te faz crescer, que te respeita e que constrói algo de que te possas orgulhar mais tarde.


E lembra-te: não és definido por uma única escolha. És construído por muitas — e tens sempre a oportunidade de plantar algo novo.


Com confiança no teu caminho,  

Alguém que acredita nas tuas escolhas


Amo-te infinitamente.


Não termino este post sem dizer que hoje chegamos ao post 1111 começamos em abril de 2012 tinhas tu 10 meses e eu comecei aqui a escrever com medo (será que não é o de todas as mães?) de não ter tempo de vida para te ir ensinando coisas da vida e quem eu sou e como es profundamente amado, chegamos hoje aqui e hoje estas a um mes de fazer 15 anos ..... uau 15 anos e ja sabes quem eu sou ja sabes (ou vais sabendo) quem tu és e tudo o que aqui te escrevi já te disse tambem. Obrigada, meu Deus, por me trazeres até este dia, obrigada, meu filho, por estares aí e seres esse ser de luz e graça e sabedoria que és. Vou continuar a escrever-te mais umas coisinhas porque quando fica escrito toma forma e podes sempre voltar atrás quando cá não estiver. 

És profundamente amado. 


Mãe Ana 

terça-feira, 28 de abril de 2026

1110 - Décima oitava carta a ti

 Meu muito amado filho Estêvão


Caro jovem,


Há momentos na vida em que parece que tudo saiu do lugar — escolhas que não correram bem, planos que falharam, versões de ti que já não fazem sentido. E nesses momentos, é fácil sentir vergonha. Vergonha de voltar atrás, de recomeçar, de admitir que ainda estás a tentar descobrir quem és.


Mas deixa-me dizer-te algo que pode mudar a forma como vês isso: nunca tenhas vergonha de começar de novo.


Recomeçar não é sinal de fraqueza. É sinal de coragem. É escolher não ficar preso ao que não resultou. É ter a humildade de aprender e a força de tentar outra vez, mesmo sem garantias.


Olha para o sol. Todos os dias ele desaparece no horizonte, como se tivesse falhado em ficar. Mas no dia seguinte, volta a nascer — sem pedir desculpa, sem hesitar. Simplesmente recomeça.


Tu também podes fazer isso.


Podes mudar de ideias, de sonhos, de caminho. Podes deixar para trás o que já não te faz bem e construir algo novo, ao teu ritmo. Não há um número limite de recomeços. Há apenas o teu tempo, a tua vontade e a tua história.


Se alguma vez sentires que estás “a começar do zero”, lembra-te: não estás. Estás a começar com experiência, com mais consciência, com mais verdade.


E isso faz toda a diferença.


Com esperança no que ainda vais construir,  

Alguém que acredita nos teus recomeços


Amo-te infinitamente


Tua mãe

quarta-feira, 22 de abril de 2026

1109 - Décima sétima carta a ti

 Meu muito amado filho Estêvão


Caro rapaz,


Ter 14 anos já é, por si só, um mundo inteiro a acontecer dentro de ti. Há dúvidas, descobertas, momentos bons e outros mais difíceis. E crescer numa família só com a tua mãe pode, às vezes, fazer-te sentir que tens de ser mais forte, mais responsável, mais “adulto” do que outros da tua idade.


Mas quero que saibas uma coisa muito importante: tu não estás sozinho.


Família nem sempre é perfeita, nem sempre é fácil, e nem sempre parece igual à dos outros. Mas família é, acima de tudo, um lugar onde existe amor — mesmo nos dias complicados, mesmo quando há cansaço, silêncio ou discussões.


A tua mãe, com tudo o que ela carrega, continua a estar aí por ti. E isso já diz muito sobre o tipo de porto seguro que ela quer ser na tua vida. Pode não haver respostas para tudo, pode não haver sempre tempo ou energia… mas há algo muito valioso: a vontade de cuidar de ti.


E tu também és parte desse lugar seguro.


Quero que te lembres disto: independentemente do que aconteça lá fora — na escola, nas amizades, nas inseguranças — tu sempre terás um lugar para voltar. Um lugar onde podes ser tu, sem precisar provar nada. Esse lugar pode ser a tua casa, a tua mãe, ou até os momentos simples que vocês partilham juntos.


E mais do que isso: à medida que cresces, também vais construir esse lugar dentro de ti. Um espaço onde te podes acolher, entender e respeitar.


Não tens de ter tudo resolvido agora. Só precisas continuar a caminhar, um passo de cada vez, sabendo que há amor à tua volta — mesmo quando não parece perfeito.


Com respeito e confiança no teu caminho,  

Alguém que acredita em ti


Amo-te infinitamente


Tua mãe

quarta-feira, 15 de abril de 2026

1108 - Décima sexta carta a ti

 Meu muito amado filho Estêvão


Vivemos num mundo que muitas vezes confunde força com resistência infinita — como se ser forte fosse aguentar tudo sem vacilar, sem chorar, sem pedir ajuda. Mas quero dizer-te algo importante: isso não é força. Isso é desgaste.


A verdadeira força emocional não está em suportar tudo até ao limite. Está em reconhecer os teus próprios limites. Está em saber quando parar, quando respirar fundo, quando dar um passo atrás para não te perderes de ti mesmo.


Há uma coragem enorme em dizer “isto está a ser demais para mim”. Há maturidade em perceber que não tens de resolver tudo sozinho. E há sabedoria em pausar — porque é nesses momentos que te reencontras, que reorganizas o que sentes e ganhas clareza para seguir em frente.


Ser forte não é nunca cair. É saber levantar-te — e, às vezes, antes disso, permitir-te descansar no chão o tempo necessário.


Se um dia te sentires sobrecarregado, lembra-te: parar não é desistir. É cuidar de ti. E cuidar de ti é uma das formas mais profundas de força que existem.


Com compreensão,  

Alguém que também está a aprender


Amo-te infinitamente


Tua mãe

1113 - Carta número 23 para ti

Meu muito amado filho Estêvão Meu querido filho, Há tantas coisas que eu gostava de te ensinar antes de a vida te ensinar algumas delas da m...