terça-feira, 6 de março de 2018

652 - Quando o chão gelado nos apara a queda

Meu muito amado filho Estêvão

"Ao longo da vida vamos vivendo experiência que de todo não queríamos viver porque nos magoam, porque nos fazem sentir mal, porque nos ferem o corpo e a alma de forma bruta e desleal, porque nos mostram uma realidade que nunca imaginávamos vir a ver e a sentir. Esta forma bruta de sentir estas experiências fazem-nos muitas vezes sentir menores, frágeis, sensíveis, confusos, que não somos nem amados nem respeitados nas nossas forças e nas nossas fragilidades. Sentir que falam de nós, sentir que nos criticam sem verdade, sentir que nos apontam dedos sem consciência, sentir que algumas relações não foram vividas de acordo com os mesmos princípios e a mesma autenticidade que as nossas, são experiências que nos marcam e que deixam sem dúvida, marcas em todo o nosso ser, desde o corpo mais material até à dimensão mais espiritual. Esta dor, às vezes, é tão grande que nos sentimos a patinar nela sem conseguir erguer as pernas e encontrar o caminho mais rápido, da pista de gelo onde nos sentimos a dançar de forma infernal. E quando assim estamos, sentimos que rodopiamos vezes sem fim, sem saber como sair dali, daquela pista gelada, sem segurança, sem suporte e sem saída à vida. E rodopiamos, às vezes, tempo demais…
Acredito que a melhor forma de parar de rodopiar é sentar no chão gelado e molhada, e perceber o que estamos a sentir, porquê e para quê, por muito que o desconforto do chão molhado nos pareça pior que os rodopios. Sem pressa e com carinho pelo chão gelado, que mesmo gelado, nos apara na queda, devemo-nos permitir a olhar para o que sentimos sem medo nem pudor. Olhar à volta, observar aquilo que estamos a dizer para nós, aquilo que de facto sentimos que aconteceu, reconhecer a nossa parte da experiência e reconhecer a parte que conseguimos perceber da experiência do outro, encontrando significados, reencontros e recomeços com amor e perdão.
Abraçar quem nos continua a abraçar e sempre continuou, e começar a gatinhar até à porta, sem medo nem vergonha de o fazermos a gatinhar, é o primeiro passo para o fim do espectáculo. Na realidade, o melhor de uma queda é que conseguimos sentir quem continua ao nosso lado para nos ajudar a levantar, é o de conseguirmos retirar da nossa vida quem de facto não estava de verdade, e o facto de conseguirmos recomeçar mais fortes e mais convictos do nosso valor e daquilo que queremos.
Por vezes, as experiências mais dolorosas são as mais poderosas, e há danças que por muito que vividas em pisos gelados, são necessárias para o nosso crescimento e caminho.
Que assim seja."
By: Diana Gaspar

Sentir a alegria ou sentir a tristeza são fases diferentes da nossa vida. A floresta precisa de chuva para brilhar se não seria um deserto.
Como te digo sempre: o que estas a sentir? Porquê? fala sobre isso, vamos pensar juntos sobre o que se esta a passar. Sentir, pensar, aprender, evoluir.

Ontem ofereci uma prenda que eu achava muito boa a uma pessoa e ela não aceitou, ou melhor nem respondeu, nem disse que aceitava nem que não aceitava, não disse nada (e mesmo assim disse não dizendo), eu fiquei triste porque era uma prenda de mim para essa pessoa e fiquei triste, mas deixei me ficar triste naquele momento para perceber exactamente o que se estava a passar comigo em perguntar todos os porquês a mim mesma: porque é que estas triste? porque é que ofereceste uma prenda a quem sabias que não ia aceitar? porque? porque? porque?
Foi o meu chão frio. Parar e pensar porquê? Porquê?
Ser tua mãe sozinha não me dá muito tempo livre (nenhum é a palavra) não me dá hipotese de ver que o rolo de papel higieno acabou e pensar só hoje não vou mudar, alguem vem e muda o rolo por mim, não me dá muitas hipoteses de não me levantar agora para ligar a maquina de roupa alguem vai liga-la por mim, não há alguém sou eu e só eu. E está tudo muito certo assim mesmo. 
Esta vivencia faz com que me crescessem picos no pescoço como aos catos, eu saiu a disparar para todos os lados, perdi a leveza e o romantismo de me abrirem as portas, de me levarem os sacos das compras ou me pagarem o jantar.... abrulhatei-me e não queria. Queria ser fofa como as almofadas frescas de um hotel bom. E bem tento tento e tento mudar isso, "mama és muito envergonhada", dizes tu quando não peço nada.
Não vou deixar os picos do meu pescoço te piquem não vou mesmo. Um dia alguem me vai fazer o jantar e me vai acender velas ou levar os sacos de comprar .... tu estou certa iras.

Amo-te infinitamente desde coração cheio de espinhos e remendos e nodoas negras mas cheinho de amor por ti.

Tua mãe

Nenhum comentário:

Postar um comentário