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92 - Aprendendo saindo de nós praticando o não julgamento


Meu amado filho

Estou longe de ti fisicamente há 6 dias e ainda falta para podermos estar de novo abraçados.

Estas com a outra pessoa que no mundo mais te ama: o teu pai. E que dois?! A tua avó e a tua prima também te têm acompanhado por isso caminhas cada vez melhor e mais feliz e só isso me trás felicidades.

Estou longe no Brasil trabalhando e queria partilhar contigo hoje em especial uns pensamentos que sempre tenho quando estou fora do nosso pais.

Filho, abre-te sempre ao mundo sem medo. Sem julgamento. Abre-te a novas experiências.

Se fosse para ficarmos sempre no mesmo sitio ou para andarmos pouco, seriamos arvores e não seria necessário nem pernas nem olhos, nem paladar, sem tacto, sem audição.

Viaja, sai da tua zona de conforto e vive. Mas não sejas tacanho de pensamento sem vontade de aprender de vivenciar. Podes ate gostar muito da culinária d teu pais, do sumo das tuas frutas, do sabor da carne do modo que estas habituado, mas quando chegares a um sitio come as frutas da terra, o mel da terra, os pratos da culinária local. Parece-te estranho comer gelado de murici, taperaba, bacuri, tucumã, pupunha com bacuri e creme de leite? Parece-te difícil de apreciar pato no tucupi ou maniçoba ou uma bela cuia com tacaca numa baraquinha na feira? Talvez. Mas acredita são todos deliciosos. Se sairmos da zona onde estamos bem onde é arroz com feijão e gelado de baunilha que é sempre igual sempre bonzinho.

Deixa-te surpreender pelos sentidos que temos, quem sabe se algum dia mais poderás comer bacuri com açaí e farinha de água?

Um outra coisa gostava de partilhar contigo sobre esta minha viagem. Aprende com o teu pai e com a genética que ele te transmitiu a positividade a alegria de viver que se vive neste pais.

De todas as partes do mundo onde já tive o privilégio de estar nenhuma me surpreendeu tanto no sentido de saber valorizar a alegria da vida como o Brasil.

Não procures os defeitos é a lição importante: transito horrível, falta de educação cívica, falta de ordenamento urbanístico, alguma falta de segurança, a corrupção e demais pontos existem e vão melhorar alias sempre melhoram MAS mais importante que isso observa como é diferente (para muito melhor) a positividade que se vive nesse pais e que podes vivenciar com o teu pai e respectiva família. Como e bom que aqui se vê o copo sempre meio cheio e não meio vazio. Como é maravilhoso que mesmo com problemas (que sempre existiram) as pessoas consigam ser tão generosas (é mesmo esta a palavra) que sempre há um peixe para dividir, sempre há vontade de sentar mais alguém à mesa, sempre há gosto em receber, alegria no olhar, dança. Sempre há um amanha que vai ser melhor. Tem de ser melhor. Sempre há alguém que ajude. Alias sempre há alguém que pede ajuda e alguém que oferece essa mesma ajuda.

É um ensinamento importantíssimo que o teu pai me dei e que tu deves receber também e que se observa um pouco por todo este pais, se saíres da tua zona do eu e olhares à zona do outro. Porque este é o verdadeiro caminho de ser feliz aprende com o teu pai que tem essa genética essa maneira de ver a vida. Nem é generosidade (embora não o deixe de ser) é noção de viver em comunidade. De se dar. Mesmo quem pouco tem, sempre partilha o que tem, ninguém é tão pobre que não possa dividir a sua farinha, ninguém.

Outro ponto que deves também “tirar de letra” da vivencia com o teu pai (que vem muito deste país que é teu e dele) é a importância do sorriso a importância do cumprimento e de saber o nome.  Teu pai sempre quer saber o nome das pessoas e sempre cumprimenta as pessoas pelo nome “bom dia Maria”, “boa tarde Manuel”... é muito “desta parte do mundo”... aqui sempre é usado o nome porque é ele que nos distingue, porque dessa maneira quem ouve se sente importante. É um excelente habito.

 

Morro de saudades tuas meu ratinho bacuri.

 

Amo-te muito

 

Tua mãe

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